terça-feira, 22 de julho de 2008

Recordar

Recordar...
Voltar a viver algo que não voltará a acontecer, que não existe sem ser na nossa memória, pois apenas ela consegue reproduzir aquele momento tal como o vivemos, juntando aquilo que os nossos sentidos captaram com aquilo que a nossa alma interpretou desse conjunto de sensações.
Recordar é a capacidade de voltar a sentir o mesmo que sentimos num terminado instante, no momento em que esse instante está a ser recordado.
Por muito que possamos recordar um momento vivido com alguém, essa a recordação que temos é única, e os momentos em que essas recordações nos invadem o espírito também.
Recordar provoca muitas vezes uma nostalgia, o desejar que o tempo pudesse voltar para trás, tornando possível absorver um pouquinho + daquele momento, vivê-lo mais intensamente, fazer parar os relógios e eternizar aquele segundo de vida.
O conjunto das nossas recordações são no fundo o resumo da nossa vida, que desejaríamos poder transcrever para um livro, juntar-lhe algumas imagens e descrever os nossos sentimentos para que se torna-se possível transmitir a outros tudo o que significou cada momento da nossa existência, tornar a nossa história eterna, numa recordação "pública".
Será isto que ambicionamos quando desejamos ter sucesso, fazer algo de marcante? É sermos parte da recordação de alguém? Mas a recordação desse alguém será igual a nossa? Seremos recordados e serão as nossas recordações lembradas como desejamos?
Acho apenas que esse livro nunca será possível de construir e que irá desaparecer connosco no momento em que a nossa vida terminar, sobreviveremos apenas, numa recordação de alguém, que um dia, também desaparecerá e levará consigo o nosso último pedaço.

Pratica(mente)

"Se durante o processo de construção,
o autor vos remeter para uma estrutura quase demente
É porque foi usado mais por demais coração
condição absoluta no limiar do obstinadamente.
Esculpindo frases ao sabor da inspiração,
revestidas por minimal batida envolvente
Construindo fortalezas muralhadas de emoção,
provocando aqui e ali a moralidade digente.
E se, de repente, o sonho ganha asas de vulcão,
derramando palavras e punhais principalmente
Requerendo seguramente mais que uma audição,
o que é, por vezes, não existe, mas sim aquilo que se
pressente.
Após longas e repetidas noites de agitação,
o resultado surge... emergente
Esvai-se a permanente inquietação...
Entretanto, Sobretudo, Praticamente."

in Sam the Kid "Pratica(mente)"